
Guias regionais mostram monumentos, museus, igrejas, artesanato e outras atrações das cidades aos visitantes.
Não são apenas os donos de hotéis, artesãos, vendedores ambulantes e taxistas que faturam com o turismo em Brasília. Os guias regionais também têm uma participação importante nesse filão. A profissão é antiga, mas a legalização só ocorreu em 1993. Hoje, o Distrito Federal conta com 302 guias de turismo regional registrados na Embratur. No entanto, o número de atuantes é maior, porque muita gente se aventura no mercado de forma ilegal, sem ter feito o curso técnico exigido por lei para o exercício da atividade.
Veterano no ramo, Lourimar de Oliveira Lopes, mais conhecido como Tim, começou aos 11 anos de idade, participando de um projeto do governo do Distrito Federal para formar guias mirins. De todos os garotos da época, ele, hoje com 39 anos, foi o único que investiu na área. ‘‘Gosto do que faço’’, explica. ‘‘Mas só consigo viver do turismo porque sou guia nacional e atuo também na América do Sul.’’
Para quem trabalha apenas em nível local, a atividade funciona como uma forma de aumentar a renda. Por isso, muitos profissionais mantêm um emprego fixo e atuam como free-lancers nas agências de turismo. Os rendimentos variam, dependendo do tipo de trabalho e da negociação, mas geralmente oscilam entre R$ 60 a R$ 100 por dia de serviço.
Com os tours locais, Tim consegue garantir cerca de R$ 1 mil por mês. Mas para isso trabalha duro. Toda semana, faz rondas em agências, manda folders e fotografias a empresas de turismo de outros estados e não perde encontros, como coquetéis e jantares promovidos pela categoria para discutir assuntos de interesse coletivo.
Embora reclame da falta de fiscalização necessária para barrar pessoas que atuam sem o devido registro, Altamir Oliveira, presidente do Sindicato dos Guias de Turismo do DF (Sidgtur), acha que o setor em Brasília tende a melhorar. De acordo com a Secretaria de Turismo, a fiscalização foi intensificada desde sexta-feira em todas as saídas do DF. A ação, que conta com o apoio das polícias Militar e Rodoviária Federal, vai se estender até o dia 10 de março, quando a movimentação de excursões por conta do carnaval termina.
O campo de trabalho para os guias regionais ultrapassa os limites de Brasília. Além dos city tours pela capital, eles acompanham excursões que vão nos finais de semana a cidades goianas próximas, como Pirenópolis e Caldas Novas. As escolas são bons clientes, tanto no turismo cívico como em passeios rurais. E há ainda o turismo místico. Quando há eventos em Brasília, como congressos, feiras, exposições, o guia atua na recepção e acompanhamento de grupos durante toda a estadia.
E para quem acha que a profissão é moleza, Eliane Meireles lembra que é preciso ter conhecimentos sólidos de história, geografia e meio ambiente. Segundo a guia de turismo nacional e professora do curso no Senac, é imprescindível saber a parte técnica e operacional, se o passeio durar mais de um dia. ‘‘Se há pernoite, o guia terá de etiquetar bagagens, checar a distribuição delas nos quartos, fazer o check in e check out no hotel’’, diz. ‘‘Ele tem que assegurar o cumprimento do contrato que foi fechado entre o cliente e a agência.’’
Informações corretas
E não é só isso. Competências pessoais fazem a grande diferença para o sucesso do profissional. Segundo Tim, é preciso saber receber bem as pessoas, manter-se atualizado e gostar do trabalho. Além disso, ser honesto é fundamental. ‘‘Passar informação errada ou superficial é uma forma de fazer o visitante não voltar mais à cidade’’, ressalta.
Essa é lição que Maria Vitória, 46 anos, sabe de cor. Mesmo sendo professora aposentada de geografia, a maranhense afirma que o trabalho do guia está além dos conhecimentos acadêmicos. Para ela, o bom profissional precisa ser muito observador, principalmente quando há crianças no grupo. E ter jogo de cintura para solucionar problemas que surgem de última hora.
Ela fala com conhecimento de causa. Foi justamente por causa de uma saia justa que Maria Vitória entrou na profissão. Há cerca de seis anos, na volta de uma viagem de férias a Salvador, um grupo de adolescentes teimava em não entrar no ônibus por algum motivo do qual ela nem se lembra mais. Compadecida com a dificuldade da guia de turismo em lidar com aquela situação, Maria Vitória pediu licença para tentar resolver o impasse. E conseguiu.
Além de ganhar a simpatia dos jovens, ela recebeu um convite para trabalhar na agência que organizou a excursão. ‘‘Aprofundei meus conhecimentos de geografia, fiz treinamentos e curso de guia regional’’, conta. ‘‘É importante ter informação precisa, pois muitos turistas, como engenheiros e agrônomos, querem saber sobre suas áreas de formação.’’
Grande parte dos trabalhos que Maria Vitória faz surge por indicação do Sindgtur. Além dele, a Embratur e Associação dos Guias de Turismo do Distrito Federal são consultados com certa freqüência por muitas agências e turistas que precisam do serviço. Para ser registrado nesses órgãos e ter o crachá da Embratur, o profissional tem que fazer o curso. No Distrito Federal, a única instituição que ministra as aulas é o Senac.
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Conheça a profissão
O perfil dos guias de turismo regional
Onde atuam
Guias regionais têm autorização para fazer city tours apenas nos estados onde fizeram curso. Mas podem atuar fora da região abrangida como acompanhante do grupo
O que fazem no Distrito Federal
Mostram todos os pontos turísticos de Brasília, desde os monumentos e prédios públicos até museus, igrejas e shoppings. Quando fazem passeios com pernoite, geralmente nas áreas de turismo rural e ecológico, também atuam na parte operacional, etiquetando bagagens, checando a distribuição das malas nos quartos, fechando contas no hotel. Guias receptivos, que trabalham com público presente na cidade em função de eventos, recebem e acompanham o grupo durante toda a estadia, cuidando para que a programação traçada pela agência de turismo seja cumprida sem falhas
Quanto ganham
Depende da negociação com a agência de turismo e do tipo de trabalho. Mas em geral, a remuneração gira em torno de R$ 60 a R$ 100 por dia
Como entram no mercado
Apresentando-se nas agências de turismo ou cadastrando-se no sindicato da categoria. Também é importante participar dos eventos que a categoria promove, fazer contatos com outros profissionais, distribuir cartões
Como se formam
Só por meio de curso técnico dado por instituições reconhecidas pela Embratur e pelo conselho estadual de educação. No Distrito Federal, apenas o Senac é habilitado
O que aprendem
Conhecimentos de história, geografia, meio ambiente, relacionamento interpessoal, legislação turística, animação, primeiros socorros, etiqueta social, venda de produtos, entre outros assuntos
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