Quem é o Guia?

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Pouca gente sabe disso, mas a profissão de guia é mais antiga do que se imagina. Em 440 a.C., o historiador grego Heródoto – ele mesmo considerado o primeiro turista de todos os tempos – já nos falava desse profissional em sua famosa História.

É claro que os guias da época eram muito diferente dos guias atuais e, em vez de orientar turistas em passeios por lugares pitorescos, guiavam exércitos em território inimigo. Mas as atribuições dos guias de então não eram muito diferentes daquelas dos guias de hoje. A eles cabia orientar os soldados em terreno desconhecido, servir de intérprete, arranjar acomodações, comida e transporte para os seus clientes, entre muitas outras funções semelhantes às dos guias contemporâneos.

Com o tempo, a profissão se pacificou, assumindo pouco a pouco as características que possui atualmente. No século XVIII, temos notícia dos “tutores”, padres católicos irlandeses encarregados de guiar jovens aristocratas ingleses em suas viagens de estudos ao continente europeu, discorrendo sobre o esplendor das antigas civilizações greco-romanas. É bem verdade que os jovens da época não viajavam por lazer, e sim como parte de sua formação de fomentadores e mantenedores do poderoso Império Britânico. Mas a função dos tutores já era muito semelhante à dos guias turísticos atuais.

Hoje, o guia é um especialista em relações públicas, alguém com facilidade para aprender línguas estrangeiras, boa cultura geral, profundo conhecimento do lugar onde vive e uma tremenda habilidade para descascar abacaxis, não importando onde e como eles se manifestem. O guia de turismo moderno tem que ter capacidade, iniciativa, paciência, simpatia e sociabilidade, entre uma infinidade de outras qualidades, congênitas e adquiridas.

Segundo o professor J. M. Carvalho de Oliveira, do Instituto de Novas Profissões, em Lisboa, o guia deve ser “um verdadeiro embaixador de seu país, para uma impressão geral favorável ou negativa, e desempenha um papel muito importante na memória global que o visitante estrangeiro leva de volta ao país de origem”. Ele acrescenta: “O guia funciona como um intérprete de seu país, na medida em que ensina o visitante estrangeiro (ou o seu compatriota) a ver o país para além daquilo que os olhos alcançam (...) Ou seja, o guia-intérprete ‘interpreta’ o seu país e a sua realidade. O guia vê com os olhos do visitante estrangeiro, mas fala com a alma e o conhecimento de seu país.”

Os guias regionais são aqueles que recebem o turista, providenciam o seu transporte para o hotel e o acompanham em visitas a pontos turísticos numa determinada cidade ou estado. Além de estarem bem informados sobre os atrativos turísticos, os guias regionais devem conhecer intimamente o dia-a-dia de sua cidade, sempre atentos ao horário de funcionamento do comércio – com especial atenção a feriados, greves e pontos facultativos -, às condições de trânsito e à programação cultural. Dessa forma, quando o turista solicitar, deverão estar aptos a indicar uma agência de um determinado banco, um restaurante de determinada especialidade culinária, a estação de metrô mais próxima etc., bem como prestar assessoria básica em emergências de saúde ou de segurança. Também deverão estar bem informados sobre inconvenientes eventuais como a poluição de uma determinada praia ou lagoa, horário de racionamento de água, de gás, de energia, etc.

Já os guias de excursão, sejam nacionais ou internacionais, têm atribuições mais complexas, viajando com grupos de turistas e providenciando o seu transporte e acomodação nos diversos estados e países visitados. Há também os chamados guias especializados, cuja atividade compreende, além da prestação de serviços básicos de um guia, o fornecimento de informação específica – técnica, científica ou empírica – sobre determinado tipo de atrativo natural ou cultural de interesse turístico.

São atribuições do guia:

Receber turistas e providenciar o seu transporte ao hotel;

Acompanhar pessoas ou grupos em visitas a pontos turísticos;

Verificar e confirmar transporte, alimentação e acomodações;

Coordenar o despacho e liberação dos passageiros e suas bagagens;

Administrar as insatisfações dos clientes;

Atuar em casos de perdas de documentos, roubo de passaportes e todo tipo de imprevistos;

Servir de intérprete, no caso de viajantes estrangeiros ou de viagens ao exterior;

Fornecer informações geográficas, históricas ou de interesse dos visitantes;

Organizar a distribuição do grupo nos ônibus, trens, aviões ou em outros meios de transporte;

Fornecer informações sobre os horários e características de cada atividade;

Coordenar a locomoção dos turistas;

Organizar a chegada e a saída dos hotéis;

Acompanhar o grupo aos lugares previstos no programa;

Buscar soluções para qualquer problema que interfira no bem-estar do grupo sob a sua responsabilidade


REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO

O guia é sempre um profissional liberal, sem vínculo empregatício com a agência, para a qual trabalha como autônomo. Porém, ao contrário do que muita gente pensa, a profissão é regulamentada. Para se tornar guia, o candidato deve estar em dia com o serviço militar e como o TRE e ensino médio, ter registro na Embratur, ensino medi completo e certificado de conclusão de curso reconhecido pelo Conselho estadual de Educação. Para ser guia regional, é preciso ter mais de 18 anos. Já o guia de excursão nacional ou internacional deve ter mais de 21 anos.